Ontem foi a vez da sobrinha caçula, Maria Luiza, vir dormir com a tia, na hora de rezar, perguntei se queria fazer uma oração breve ou rezar o terço. Pra minha surpresa, ela escolheu o terço, afinal de contas, ela só tem 08 anos de idade. Como tive insônia em seguida, isso me fez lembrar a minha infância e o quanto eu detestava rezar o terço, só tomei gosto pela oração tempos depois.
Percebia que essa oração diminuía minha ansiedade, colocava os pensamentos em ordem e me acalmava. Daí, lembrei que toda vez que fazia algo de errado minha mãe dizia que ia me colocar para rezar de joelhos (embora ela nunca tenha cumprido a promessa, tinha medo disso). Também quando eu queria ir em algum lugar que ela não queria, falava de demônios e desgraças me esperando lá e por aí vai.... Em vez de me ajudar, isso me fez ter um distanciamento muito grande das coisas de Deus. Não fosse algumas coisas muito profundas que vivenciei, certamente hoje seria uma ateia convicta. E claro, ter ganho de presente “História de uma Alma”, de Santa Terezinha, me fez entender melhor o relacionamento com Jesus. Um Deus que escolheu se tornar gente e como qualquer pessoa, fica imensamente feliz com nossa atenção e amor.
Isso tudo somados aos últimos acontecimentos na minha vida me fez refletir sobre a linguagem dos pais, religiosos e religiosas, católicos ou não. Muitas vezes colocam Deus como uma máquina de refrigerante onde se deposita moedas e dali saem o que queremos. Outros, já como um Deus impositivo e disposto a condenar por qualquer motivo. Outras vezes as pessoas veem a religião como um campo de “proteção” e alívio, a segurança de não ir para o inferno. Cruzes! Não que eu duvide da existência de céu e inferno. Mas antes de desejá-lo e temê-lo talvez tenhamos que questionar, investigar e conhecer melhor o tal Jesus Cristo de Nazaré. Mais que um personagem histórico, importante ao ponto de mudar um calendário inteiro e de em torno de seu nome ter tantos objetos de estudo e contribuições para a humanidade, temas de livros, filmes, debates e etc....
Mas e se não houvesse Céu? E se não houvesse inferno? Por que então seguir esse Jesus? Se meditarmos mais profundamente em sua vida, percebemos que é um Deus que escolheu ser homem para entender melhor nossas limitações e necessidades. Que se colocou a serviço, dos homens, que não julgou ou condenou pessoa alguma, mas sempre respeitou a liberdade de escolha. Se olhássemos para a vida de Maria Madalena, por exemplo, a partir do momento que ela já seguia Jesus. Certamente a chamaríamos de louca: - Como deixar tantos homens lindos, ricos e o prazer que eles te davam para seguir a esse Jesus? Mas se sentássemos para conversar, ouvir sua história de vida, certamente a entenderíamos (Entender: Entrar na tenda do outro): - Ele não me julgou, nem mesmo me condenou, ele me estendeu a mão não para me usar, mas para me amar. “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Jesus não exigiu nada de Madalena, apenas aconselhou: “Vai e não tornes a pecar”. Foi ela que decidiu se colocar em movimento e decidiu ficar perto daquele homem tão maravilhoso que entendeu sua humanidade e história de vida. Certamente, o céu começou naquele instante para Maria Madalena. Ele não deu a ela nem dinheiro, nem status, nem marido, apenas amor.
Então por que não mostrar esse amor a nossas crianças quando elas erram, conscientizar dos erros mas com misericórdia.
Por que não dizer aos jovens que Jesus não morreu e ressuscitou para os oprimir, pelo contrário, para lhes dar uma vida de abundância, aos adultos e á toda gente que não é preciso mendigar amor de minutos e de momentos, mas que existe amigos verdadeiros e pessoas decididas a ter relacionamentos amorosos comprometidos?
Pra que perder tempo falando de coisas negativas se o próprio Jesus disse à Santa Faustina: “Sempre que quiseres proporcionar-me alegria, fala ao mundo da minha grande e insondável misericórdia”. (Diário de Santa Faustina, 41ª Edição, página 81).
Isso que alegra o coração do Deus-Homem, falar da suas misericórdia, jamais de condenação, afinal, foi o próprio Judas que se condenou, o ladrão quem decidiu zombar de Jesus. Cristo apensas respeitou sua decisão. Que possamos amadurecer mais e quem sabe um dia dizer como Santa Terezinha: “Ainda que não houvesse céu eu vos amaria Senhor,
ainda que não houvesse inferno eu vos temeria Senhor”.




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